A indústria brasileira de cimento comercializou 5,7 milhões de toneladas em setembro de 2026, queda de 5,7% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). No terceiro trimestre, as vendas somaram 18,1 milhões de toneladas, recuo de 0,4% ante igual período do ano passado. Entre janeiro e setembro, o volume alcançou 50,8 milhões de toneladas, aumento acumulado de 0,9% na comparação anual.
Esse resultado refletiu uma menor quantidade de dias úteis no 3°trimestre de 2026 em comparação ao 3° trimestre de 2025 e às chuvas constantes que prejudicaram o andamento das obras. Entretanto, mercado de trabalho aquecido e o avanço das vendas de imóveis, especialmente no Minha Casa, Minha Vida, ajudaram a sustentar a demanda por cimento no período.
A taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, menor patamar para esse período desde o início da pesquisa, em 2012. A população ocupada atingiu o recorde de 103,5 milhões de pessoas, e o número de postos de trabalho na construção de edifícios cresceu 4,1%. Embora o rendimento médio tenha permanecido estável, a massa salarial chegou ao maior nível da série.
Por outro lado, a pressão sobre o orçamento das famílias limita o consumo. Mesmo após os cortes recentes, a Selic permanece em 13,75% ao ano, encarecendo o financiamento habitacional e ampliando a concorrência dos ativos financeiros com o investimento em imóveis. O comprometimento da renda das famílias com dívidas chegou a 49,86% nos 12 meses encerrados em julho. Em agosto, o Serasa contabilizou 83,9 milhões de pessoas inadimplentes, o maior número da série.
No mercado imobiliário, as vendas de imóveis cresceram 5,4% no primeiro semestre de 2026, enquanto os lançamentos recuaram 0,3% ante igual período do ano anterior, indicando uma diminuição nos estoques de imóveis. No Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), as vendas avançaram 15,5% e os lançamentos, 7,9%. O programa respondeu por 58% dos lançamentos no segundo trimestre, sua maior participação desde o início da série.
Os sinais de cautela foram refletidos nos indicadores de confiança. Em setembro, a perspectiva do consumidor caiu pelo quinto mês consecutivo. A expectativa do setor da construção recuou, com preocupações relacionadas à demanda futura em todos os segmentos. A confiança da indústria registrou o terceiro recuo mensal seguido. Para o setor cimenteiro, o desempenho dos próximos meses dependerá da continuidade dos projetos habitacionais e de infraestrutura, diante das condições monetárias ainda restritivas.
Apesar das incertezas econômicas, fiscais e políticas, além dos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, o setor mantém a expectativa de crescimento do consumo para 2026, apoiado pela demanda da habitação popular e das obras de infraestrutura, em especial a ampla utilização de pavimento de concreto.
Em memória de Paulo Camillo Vargas Penna
“O Sindicato Nacional da Indústria do Cimento presta homenagem a Paulo Camillo Vargas Penna, que presidiu o SNIC e a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) por dez anos. Paulo Camillo faleceu em 30 de setembro de 2026. À frente das duas entidades sua dedicação, promoveu o diálogo entre a indústria, o poder público e outras organizações sobre infraestrutura, sustentabilidade e desenvolvimento do setor cimenteiro. O SNIC se solidariza com suas filhas, familiares, amigos e colegas.”